PROCURANDO NOSSA “OUTRA METADE”
Um dos mitos que Platão cita é o do andrógino e está no diálogo “O banquete”. No início da existência, os seres humanos eram “duplos”: tinham duas cabeças, quatro pernas e quatro braços. Mas, como eles desafiaram os deuses, Zeus ordenou que fossem divididos ao meio, criando assim os homens e as mulheres. É por isso, diz o mito, que homens e mulheres se sentem incompletos e passam a vida em busca de sua “outra metade”. Em seu texto, Platão utiliza o mito do andrógino para refletir sobre a união de duas pessoas como uma busca de aperfeiçoamento.
Mito e filosofia
O pensamento filosófico floresceu num mundo governado por mitos. Justamente por esse motivo, desenvolveu-se em uma forma de pensamento que pretendia se diferenciar da mitologia. Se o mito era uma narrativa sobrenatural, uma história criada pela imaginação para explicar o mundo, a filosofia pretendia ser um pensamento não fantasioso, que se baseava no raciocínio, no exame criterioso e consciente das coisas, buscando uma explicação racional e não sobrenatural.
A filosofia, contudo, não substituiu a mitologia: elas passaram a conviver. Platão, em alguns de seus diálogos filosóficos, fez uso de narrativas míticas para, com base nelas, elaborar suas explicações racionais. Em outros momentos, a mitologia foi combatida como pura mistificação. Hoje em dia ocorre algo semelhante. Filosofia e mito convivem, às vezes conflituosamente.
A imagem de um andrógino alquímico do século XV
SIGAM O FILÓSOFO PERIPATÉTICO! 🦉
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